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Você precisa desenvolver sua mediunidade, se não…

São poucos os umbandistas que nunca ouviram em seus primeiros contatos com a religião um “você precisa desenvolver sua mediunidade”, seja de uma entidade, de um dirigente ou até mesmo de quem pouco entende sobre o assunto.

É importante que num primeiro momento o médium adentre em seu íntimo e reflita “é isso que realmente quero?” “sinto-me confortável com a ideia de me comprometer com este trabalho?”, pois nenhum guia, que é um ser de luz, atuante da lei e da justiça divina irá prejudicar um filho por seu livre arbítrio. Atualmente temos diversos materiais de estudo que nos apresentam o trabalho mediúnico como uma entrega, não só na hora da gira, mas sim de tempo e amor. Se iniciarmos um desenvolvimento por ameaça ou medo, logo essa obrigação irá nos prejudicar ao invés de ajudar.

Entretanto, com a decisão tomada o indicado é que procuremos estudar a teologia, a doutrina e realizar um desenvolvimento mediúnico saudável, pois são por meio desse estudo que será apresentado ao médium quem são os guias, as linhas e os Orixás, seus elementos de trabalho, quebrar paradigmas e o bom senso. Além das bases da religião, os estudos também irão plantar em cada um de nós a semente do autoconhecimento e da reforma intima. Atualmente temos em diversos templos (terreiros) cursos sobre o assunto, palestras, livros, programas de rádio e plataformas EADs, basta termos a vontade de buscar esse conhecimento.
Aí vem a pergunta “porque devo me importar com estudo, ou melhor, porque devo me preocupar com o que eu sinto ou penso se quem faz todo o trabalho é o guia?”. Bem, sabemos que a mediunidade é uma faculdade orgânica, e qualquer um pode nascer com ela, independentemente de cor, credo ou moral. Mas se o individuo fizer mau uso da mesma, isso será avaliado pelo plano espiritual e este dom poderá ser suspenso por um tempo determinado. Essa suspensão também pode ocorrer em casos de problemas de saúde, acidentes, do meio sociocultural em que o médium se encontra ou de forma educativa/corretiva. Por isso devemos observar nossa conduta não só diante dos guias e do terreiro, mas também diante de todos que fazem parte de nossas vidas e do meio em que estamos. Somente a fé ponderada, o estudo, a paciência, e a reforma intima e moral poderá trazer-lhe tranquilidade para deixar-se usar de forma adequada pelos guias e mentores.
Por este motivo que o estudo do nosso intimo é importante, pois se não estamos bem conosco, se não nós colocamos na posição de capaz, como ajudaremos o próximo? Temos que ter consciência de que Deus criou o homem sua imagem e semelhança, com isso somos uma parte deste uno e temos em nós suas qualidades e a podemos expressa-las, como por exemplo, o dom da geração e criação, dom o amor e a fé no que nos é conhecido e desconhecido. Nosso corpo é nosso primeiro templo, por isso devemos alimenta-lo, limpa-lo e harmoniza-lo sempre antes de pensar no próximo.
Muitos médiuns tem medo do “será que estou incorporado de verdade”, começamos pelo fato que ninguém incorpora “mais o menos”, o que às vezes ocorre é o animismo. O animismo é um conjunto de fenômenos psíquicos ou de natureza física, ou seja, não há neste ato a influência do plano espiritual e sim de possíveis desequilíbrios emocionais do médium extravasados ou da capitações das vibrações de um mental coletivo. É ai que entra a importância de se auto conhecer, pois a partir do momento em quem me conheço (minhas ideias e convicções) consigo filtrar as informações que nascem de mim e as que vêm do plano espiritual durante o ato mediúnico seja ele intuitivo, de clarividência, vidência, psicografia ou de incorporação.
Esse “nós conhecer” e “nos cuidar” também fazem parte da realização dos procedimentos que precedem os atendimentos, esses preceitos consistem não só no resguardo energético (o não ingerir carnes, fazer banho de ervas, e firmezas), mas sim em nos melhorar e nos manter equilibrados nos outros seis dias, por mais que seja nossa mudança seja mínima, já é um grande passo em nossa caminhada. Só assim começaremos a preparar um bom campo fluídico para uma comunicação saudável com o outro plano.

Não se pode ignorar que essa comunicação tem uma grande importância para individuo, porque a grande verdade é que o maior consulente somos nós médiuns, tudo o que os guias fazem, pedem, ou falam para auxiliar um consulente é direta ou indiretamente para o nós, para nosso conhecimento e crescimento. Por isso troque o “quem esta falando isso é meu guia ou sou eu?” por “esta informação me é útil ou não?”.

Explore suas capacidades, sinta-se em harmonia com você e com Deus, estude e aplique em seu dia a dia e no seu trabalho mediúnico o que seu bom senso julgar válido, tornando-se assim um parceiro para seus guias e não simplesmente um instrumento vazio.

Por Elaine Cristina, médium do Templo Escola Casa de Lei

Referencias de estudo:
Livro dos médiuns – Allan Kardec;
Consciência – Robson Pinheiro;
Mediunidade e auto-estima – Maria Aparecida Martins;
Mediunidade e Auto-conhecimento – Clayton Levy;

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